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segunda-feira, 27 de junho de 2011

O céu de Spielberg em queda


FALLING SKIES
Stiven Spielberg
TNT


Assim como toda arte é feita dentro de um contexto de tradição/ruptura, há hoje nas séries televisivas americanas duas tendências muito bem demarcadas que tem, em grande parte, determinado sua qualidade. Uma é óbvio que é a originalidade. Da trama, dos personagens, das relações humanas. Neste patamar, que agrada crítica e público, podemos citar recentemente Lost, House, Walking dead, Broadwalking Empire e Guerra dos Tronos. Por outro lado, existe aquelas séries que tentam construir sua reputação em cima do sucesso da originalidade das outras. Flashfoward, V, Chicago Code exemplificam como se cria um frankenstein mesclando o que deu certo em outras séries. A mais atual estreou recentemente nos Estados Unidos e, mesmo com o nome de um figurão como Stiven Spielberg, mostra ser mais uma coxa de retalho de clichês. 

Falling Skies é uma série ambientada num mundo devastado por uma invasão alienígena. 80% dos humanos foram dizimados e os que restaram formam resistências, com civis e militares esperançosos da vitória sobre um inimigo muito superior tecnologicamente. Aqui já temos um empréstimo miscelânico: são os aliens de V, as missões impossíveis de 24 horas, a descoberta lenta dos mistérios de um mundo estranho somado a diversidade racial de Lost e a iminência de ataques surpresas dos aliens, semelhante a tensão dos ataques zumbis de Walking dead, assim como é muito similar os jovens que são domados pelos aliens com os mortos-vivos, assim como conflitos entre humanos que aparecem na série dos quadrinhos. Quer mais? Está lá a médica, o pai que resgatará o filho a qualquer preço, o triângulo amoroso envolvendo uma loira e uma morena. E não é que o protagonista não foi recrutado do E.R? Mosaico tão cheio de elementos, querendo agradar vários gostos, a história acaba perdendo em profundidade.

Até que ponto podemos esperar sucesso desta salada? Valeria a pena assistir mais dois ou três episódios para um melhor acabamento e profundidade dos personagens e enredos? É claro que o Spielberg tem crédito. A ideia principal da série também é interessante. Mas o nome de um produtor tão forte e alguns sustos com alienígenas-aranha não salvam histórias fracas Nem é preciso mencionar os clássicos do gênero produzido por Spielber: Taken, Guerra dos Mundos, Inteligência Artificial e o velho e bom E.T. A revista Veja lembrou dos chavões do próprio diretor na série e, como bem lembra uma antiga professora, se tudo é lugar comum de outras séries melhores, porque não ir ao original?

quarta-feira, 6 de abril de 2011

O anti-professor

BREAKING BAD
Com Bryan Cranston e Aaron Paul
AXN



Qual o arquétipo do professor enquanto protagonista que geralmente conhecemos? Fácil. Sempre daquele mestre humanista que mostrar aos seus alunos problemáticos o melhor caminho para a vida digna, pois esse é o real papel do professor. Isto está em desde Sociedade dos poetas mortos a Malhação.

Breaking Bad, em sua terceira temporada nos Eua, é totalmente o inverso de tudo isso. O professor de química Walter White, depois de descobrir que tem câncer, resolve abandonar a vida comportada de bom cidadão americano e, junto com seu ex-aluno e parceiro Jesse Pickman, passa a produzir metanfetaminas com qualidade inequiparável. A partir deste fato, como é de se esperar, White vai se envolvendo e aprendendo, em cada epsódio, como funciona o mundo da crimidalidade e do tráfico.

Os epsódios de Breaking Bad são expressão máxima das séries preocupadas mais com a história do que com a audiência. Ela não priva o telespectador das cenas fortes de drogas nem de violência, e pressa pela continuidade do eredo sem as repetições de peripécias constantes. Além disso, Bryan Cranston está muito bem no papel do professor White. 


Assista os epsódios aqui: Breaking Bad